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Passivo trabalhista não nasce na demissão

Cinco rotinas comuns que criam risco silencioso nas empresas, e o que revisar antes que a conta chegue por reclamatória.

2 min de leitura CAZ Advocacia

Quando a reclamatória chega, a tendência é olhar para a rescisão. Quase sempre o problema é mais antigo: nasceu numa rotina que ninguém revisou, repetida por meses.

1. Controle de jornada de fachada

Cartão de ponto com o mesmo horário todos os dias, sem variação nenhuma, é um dos pontos mais frágeis que uma empresa pode levar para audiência. A jornada britânica, aquela idêntica ao longo de todo o período, costuma ser desconsiderada como prova.

O controle precisa refletir a realidade, com atrasos, horas extras e intervalos como de fato aconteceram. Registro imperfeito e verdadeiro protege mais do que registro perfeito e fictício.

2. Função no papel diferente da função na prática

O contrato diz auxiliar administrativo, a pessoa comanda uma equipe. O registro diz vendedor, a rotina é de gerente. Esse descompasso abre discussão sobre desvio ou acúmulo de função, equiparação salarial e enquadramento sindical.

Quando a atribuição mudar de verdade, formalize a mudança na hora, não no ano seguinte.

3. Pagamento fora da folha

Ajuda de custo que na prática é salário, prêmio informal, valor combinado por fora. A intenção costuma ser boa e o efeito é o contrário: o valor tende a ser reconhecido como remuneração, com reflexo em férias, décimo terceiro, FGTS e verbas rescisórias.

O que era economia vira multiplicador.

4. Terceirização sem separação real

Prestador de serviço que cumpre horário fixo, recebe ordem direta e usa a estrutura da contratante como qualquer empregado. Se a rotina se parece com vínculo de emprego, ela pode ser reconhecida como tal, com todas as verbas do período.

Contrato de prestação de serviço não protege sozinho: o que decide é como a relação funciona no dia a dia.

5. Demissão feita no impulso

Justa causa aplicada sem prova documentada, sem gradação de penalidade e sem imediatidade tende a cair na Justiça. E cai cara: além das verbas negadas, a reversão costuma vir acompanhada de outros pedidos.

Antes de aplicar a penalidade mais grave que existe na relação de trabalho, vale uma conversa de quinze minutos com o jurídico.

O que revisar quando não há processo nenhum

É esse o momento em que a revisão rende mais:

  • Modelos de contrato de trabalho e de prestação de serviço
  • Sistema de controle de jornada e a política de horas extras
  • Composição da folha e das verbas pagas
  • Procedimento de admissão, advertência e demissão
  • Documentação de EPI, treinamento e segurança do trabalho

Revisar rotina custa uma fração do que se discute depois em reclamatória. Fale com o escritório para uma leitura do risco atual da sua operação.

Primeiro passo

A dúvida de hoje costuma ser mais barata que o processo de amanhã.

Consultar antes de assinar, antes de demitir, antes de aceitar um acordo. É quando o Direito trabalha a seu favor com mais folga.

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